sábado, 19 de fevereiro de 2011

LENDA DE DOM REI SEBASTIÃO ( Praia dos Lençóis)

Dom Sebastião foi o rei português que morreu em 1578, aos 24 anos de idade, quando se lançou com seus soldados em uma temerária aventura guerreira no Marrocos, na esperança de converter os mouros em cristãos. Ele desapareceu na famosa batalha de Alcácer Quibir, durante a qual o exército português quase foi dizimado pelas forças inimigas, e como o seu corpo jamais foi encontrado, muitas lendas foram então criadas pelos crédulos e otimistas, todas alimentando o sonho de que um dia ele retornaria à sua terra para libertá-la do domínio espanhol, restaurando dessa forma o império português.





Uma dessas histórias sustenta que o soberano costuma aparecer nas noites de lua cheia em uma das praias da ilha dos Lençóis, que por sua vez está localizada no arquipélago de Maiaú, litoral do município de Cururupu, lado ocidental da cidade de São Luís. Diz a lenda que o rei sempre se deixa ver na forma de um touro encantado, aguardando esperançoso que algum corajoso finalmente apareça e o liberte da maldição que o colocou naquela situação. E, também, que ele mora em um palácio de cristal que se ergue no fundo do mar, próximo a ilha, mas não consegue sair de lá, por mais que tente, porque seu navio não encontra a rota correta que o leve de volta a Portugal. A mesma versão garante, ainda, que a Ilha dos Lençóis é encantada, e que se tornou morada do rei português porque os montes de areia nela formados pelo vento, se assemelham aos existentes no campo de Alcácer Quibir, onde dom Sebastião desapareceu.






O touro negro que esconde a figura do rei português tem uma estrela de ouro na testa, e se alguém conseguir atingi-la, ferindo o animal, o reino será desencantado, a cidade de São Luís irá submergir, e em seu lugar surgirá a cidade encantada que guarda os tesouros do rei. Os mais crédulos vão adiante, pois acreditam que no dia em que a testa estrelada do touro for machucada por algum cidadão desassombrado, o rei será libertado do encanto maligno que o transformou em animal, emergirá de vez das profundezas do oceano, e que os enormes vagalhões provocados pela emersão da numerosa e reluzente corte real que o acompanha, bem como dos exércitos que não o abandonam e nem deixam de protegê-lo em seu incansável vagar pelas areias das dunas da ilha dos Lençóis, farão desaparecer a cidade de São Luís do Maranhão sob a fúria das águas revoltas.






A Ilha dos Lençóis não deve ser confundida com os Lençóis Maranhenses, parque nacional situado a leste da Ilha de São Luís, (lado oposto), na divisa com o estado do Piauí. Situada no litoral ocidental do Maranhão, com uma área não maior que 900 hectares, a 155 quilômetros a oeste da capital São Luís, e a 82 quilômetros do primeiro parque estadual marinho do Brasil, o Parque Marinho de Manoel Luís, a ilha tem solo arenoso formando um campo de dunas de até 35 metros de altura, que se prolonga por quase toda sua extensão ate se mesclar com o mangue no lado sudoeste, formando lagoas de águas cristalinas durante a época chuvosa, mas que, costumam desaparecer durante o período da seca.






Com fauna e flora típicas, a Ilha dos Lençóis se constitui em um dos lugares únicos do Brasil, e por isso é considerada uma das mais belas ilhas oceânicas do país. O acesso a ela é feito somente por meio de embarcações tradicionais, ou de avião mono ou bimotor, motivo pelo qual ainda hoje a ilha se mantém praticamente no seu estado original. Nela reside uma antiga comunidade de pescadores originada dos portugueses que ali se fixaram há muito tempo atrás.






A Ilha dos Lençóis é um santuário ecológico onde pode ser encontrado, entre outros, o pássaro Guará, uma das aves mais bonitas do Brasil. Revoando por aquela região ás centenas, colorindo os ares com sua plumagem de um vermelho intenso, eles parecem incendiar a floresta de Mangue, uma das mais bonitas que se possa encontrar. Além das dunas de rara beleza, das paisagens bucólicas, dos seus habitantes albinos, da pureza ecológica que se vê, que se sente e que se respira a cada passo, a ilha desperta no imaginário dos que a visitam, inúmeros pensamentos e suposições que se prendem à lenda do rei transformado em touro encantado.






D. Sebastião I (1554 - 1578), décimo sexto rei de Portugal, herdou o trono em 1507, quando tinha apenas três anos de idade; Durante a sua menoridade a regência foi assegurada primeiro pela rainha Catarina da Áustria, sua avó, viúva de D. João III, e depois pelo tio-avô, Cardeal Henrique de Évora. .Aos 14 anos, quando finalmente assumiu o trono, o jovem soberano tinha a saúde débil, o espírito fraco e a mente sonhadora, razão pela qual, ao invés de administrar o vasto império de que era senhor, formulava planos para batalhas imaginárias e conquistas retumbantes, além de projetos visando a expansão da fé católica, profundamente convencido de que seria ele o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do norte de África. Por isso começou a preparar-se para a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez.






Por achar que aquela idéia era uma loucura, seu tio Filipe II, rei da Espanha, esquivou-se de acompanhá-lo, e por isso o exército português partiu sem reforços, desembarcando em Marrocos no ano de 1578. Uma vez lá, o rei ignorou os conselhos dados por seus generais e decidiu avançar imediatamente para o interior, em busca do inimigo. Na batalha que se seguiu, a de Alcácer-Quibir, os portugueses foram derrotados humilhantemente pelas forças do sultão Ahmed Mohammed, e perderam uma boa parte do seu exército.






Quanto a Sebastião, provavelmente morreu na batalha, ou depois de aprisionado. Mas para o povo português de então, o rei havia apenas desaparecido, e por isso passou a esperar por seu regresso.



Este texto também foi publicado em www.efecade.com.br, site do próprio autor. Visite-o e deixe a sua opinião.


FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

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