terça-feira, 31 de maio de 2011

Festa de São João esta chegando,esquenta os tambores Maranhão.

A essência da lenda enlaça a sátira, a comédia, a tragédia e o drama, e demonstra sempre o contraste entre a fragilidade do homem e a força bruta de um boi. Esta essência se originou da lenda de Catirina e Pai Francisco,origem nordestina, que sofreu adaptação à realidade amazônica. Dessa forma, reverencia o boi livre e nativo da floresta Amazônica, bem como a alegria, sinergia e força das festas coletivas pindoramas (pindoramas = indígenas - a palavra índio e indígena derivam da falsa impressão dos "descobridores" de terem chegado a Índia, sendo que a terra Brasileira era então nomeada por seus nativos de Pindorama).
A festa do Bumba-meu-Boi surgiu no nordeste do país, mais especificamente no Estado do Piauí, pois a região onde hoje se situa o Piauí começou a ser povoada por vaqueiros que vinham da Bahia em busca de novas pastagens para o gado. Ainda hoje a figura do vaqueiro é marcante e faz parte da cultura piauiense, além de ser uma personagem típica no estado. Mas foi no Estado do Maranhão que o Bumba-meu-Boi foi mais popularizado e exportado para o Estado do Amazonas com o nome de Boi-Bumbá, visitado anualmente por milhares de turistas que vão para conhecer o famoso Festival Folclórico de Parintins, realizado desde 1913.
Ao espalhar-se pelo país, o bumba-meu-boi adquire nomes, ritmos, formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos, adereços e temas diferentes. Dessa forma, enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí é chamado bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas é boi-bumbá ou pavulagem; em Pernambuco é boi-calemba ou bumbá; no Ceará é boi-de-reis, boi-surubim e boi-zumbi; na Bahia é boi-janeiro, boi-estrela-do-mar, dromedário e mulinha-de-ouro; no Paraná, em Santa Catarina, é boi-de-mourão ou boi-de-mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé (em Macaé há o famoso boi do Sadi) é bumba ou folguedo-do-boi; no Espírito Santo é boi-de-reis; no Rio Grande do Sul é bumba, boizinho, ou boi-mamão; em São Paulo é boi-de-jacá e dança-do-boi.





segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

TENDA TABORES DE MINA CASA DE SÃO BENEDITO NA CRUZADA DE XANGO

 FILHOS DE SANTO:
 JÚNIOR DE OGUM
 THIAGO DE OXAGUIAN
 ANA CÉLIA DE YEMANJÁ
 VERONIKA DE IANSÃ
 FATIMA DE OXOSSI
 MARCIA DE OXALUFAN
 NOSSA MÃE DE SANTO COM SUAS FILHAS
 NOSSA MÃE DE SANTO COM SUAS FILHAS



 ANA CELIA
 VERONIKA
FATIMA


AXÉ....

TAMBOR DE MINA

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro da Costa da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge de Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.



Acredita-se que a primeira tenha sido fundada por uma rainha do antigo reino do Dahomé, vendida como escrava após o falecimento do Rei Agonglô (1797), ou por pessoa por ela iniciada (VERGER, P., 1990). Fala-se que a Casa de Nagô foi aberta por outro grupo, com a colaboração da primeira, razão pela qual é muito ligada a ela. Fala-se ainda na Casa das Minas da existência no passado de um terreiro Cambinda muito ligado à casa Jeje em Codó, interior do Estado



(2) Sobre a Casa das Minas existem dois livros muito importantes e conhecidos: o de NUNES PEREIRA (1ª edição de 1947) e o de Sergio FERRETTI (1ª edição de 1985). Não existe ainda nenhum trabalho exaustivo sobre a Casa de Nagô, embora muitos pesquisadores tenham dedicado a ela várias páginas em suas obras. Sobre Codó existe uma tese de pós-graduação defendida em 1945, nos Estados Unidos, por COSTA EDUARDO (1954), não traduzida para o português. Existe uma literatura razoável sobre a Casa Fanti-Ashanti (de pesquisador e do pai-de-santo), aberta em 1958 e introdutora do Candomblé no Maranhão (BARRETTO, 1977; FERREIRA, 1984; 1987; FERRETTI, M, 1991; 1993). Merece ainda destaque um livro de Maria do Rosário SANTOS (1989) que trata também do Terreiro da Turquia, Terreiro de Iemanjá e Terreiro Fé em Deus.



O tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.



No Tambor de Mina cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião.



Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores ou abatazeiros e também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de 4 patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados.



Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes.



Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840.



O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.



A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.



Nos terreiros de tambor de mina é comum a realização de festas e folguedos da cultura popular maranhense que as vezes são solicitadas por entidades espirituais que gostam delas, como a do Divino Espírito Santo, o Bumba-Meu-Boi, o Tambor de Crioula e outras. É comum também outros grupos que organizam tais atividades irem dançar nos terreiros de mina para homenagear o dono da casa, as vodunsis e para pedir proteção às entidades espirituais para suas brincadeiras



Vodunsi – a palavra significa esposa de vodun ou aquela que o Vodun possui.

Vodun = Divindade de origem ewe/fon

Si = esposa, mulher, femea

Esta palavra é usada para as pessoas iniciadas em rito Jeje após 1 ano da iniciação.



O tambor de crioula é uma dança de roda realizada ao som de tambores feitos de troncos. Trata-se de um folguedo característico da cultura negra do Maranhão. É associado à devoção popular a São Benedito.



São Luís possui duas casas religiosas fundadas por africanos provavelmente na década de 1840, que se continuam há mais de 160 anos e estão entre as mais antigas casas de culto afro do Brasil, a Casa das Minas e a Casa de Nagô. Parece que a Casa das Minas jeje é a mais antiga, porém é uma só, não havendo outras que se assemelhem a ela, que influência o modelo mina-nagô do tambor de mina. O modelo da Casa de Nagô foi o que mais se difundiu no Maranhão e na Amazônia, sendo porém muito diferente do modelo do candomblé da Bahia.



No modelo nagô do tambor de mina são cultuados orixás como Xangô, Iemanjá, Ogum, Nana, voduns como Badé, Averequete, Boça, Ewá, Xapanã, entidades gentis ou fidalgos como D.Luís, D.João, D. Sebastião, D. Miguel, D.Pedro e entidades caboclas ou da linha da mata, como João de Una, João do Leme, João da Mata, Tabajara, Mariana, Bandeira, Pedro Estrela e outros. No Maranhão a Umbanda também está muito desenvolvida sendo largamente influenciada pelo tambor de mina e se diz que é uma umbanda cruzada com mina.



Voduns

No estado de transe no tambor de mina são recebidos voduns e outras entidades. Quase todos os voduns da mina maranhense são cultuados na Casa das Minas, mas há alguns que são cultuados em outras casas e cuja classificação é complexa.



Podemos indicar alguns que são conhecidos como cambindas, como entre outros:

Légua Buji Buá, Navezuarina, Xadatã, Bossu Jará, Bossu Von Dereji, Bossu Fama. – da linha de Codó

Há também os gentis ou fidalgos que são entidades nobres com nomes portugueses, considerados voduns. Os outros voduns conhecidos no Maranhão são os voduns jejes cultuados na Casa das Minas.



Na Casa das Minas, diferentemente das outras casas de tambor de mina, não baixam caboclos, só voduns jejes.

Na casa são conhecidos e cultuados mais de cinqüenta voduns e de cerca de 15 tobossis ou entidades femininas infantis.



Os voduns se agrupam em famílias, sendo 3 principais e 2 secundárias, que são hóspedes. As principais são: família Real ou de Davice; família de Dambirá ou de Acossi Sakpatá, que cuida das doenças; família de Quevioçô. As outras duas são: a de Savalunu, hospede do dono da casa e a de Aladanu, hóspede de Quevioçô.



Os voduns da família real ou de Davice constituem o grupo mais numeroso. São reis, príncipes e princesas.

Existem duas linhagens na casa, a de Dadarro, o rei mais velho e a de Zomadonu, o dono da casa. Os outros voduns mais conhecidos desta família são: Naedona, esposa de Dadarro e Arronoviçavá, seu irmão. Os filhos de Dadarro são Sepazim, Doçu, Bedigá, Nanin e Apojevó. A princesa Sepazin é casada com Daco-Donu e têm um filho Daco. Os filhos de Doçu são Docupé, Decé e Acueví.



Os voduns da família de Davice não são sincretizados com santos católicos ou com orixás nagôs, apenas Doçu é identificado com o orixá Ogum e com São Jorge.



Os voduns são conhecidos por vários nomes e por apelidos. Doçú é conhecido como Agajá, Huntó, Poveçá e por outros nomes. Os outros voduns desta família são pouco conhecidos e não têm correspondentes em outros terreiros.



Conforme explicação da teologia (UNESCO, 1986), o vodun é um espírito intermediário entre a criatura e o Deus criador, ao qual o homem não pode se dirigir diretamente. Os voduns são entidades africanas e na Casa das Minas são também denominados de encantados e dizem que atendem aos pedidos que Deus permite realizar.



A maioria dos voduns são do sexo masculino mas eles podem ser homem ou mulher, velho, adulto ou jovem e crianças ou tobossi.

Cada vodum possui cânticos próprios, preferências por certos alimentos, colares com contas diferentes, com marcas da família e do vodum. Quando incorporados os voduns não comem, não bebem, não satisfazem necessidades fisiológicas e alguns gostam de fumar cachimbo



No tambor de mina a morte é muito ritualizada. Após a missa de sétimo dia é oferecido um cariru ao morto, que é consumido segundo regras rígidas. É realizado também o tambor de choro ou zeli (quando de corpo presente) ou sirrum (quando de corpo ausente).



ENTIDADES ESPIRITUAIS DO TAMBOR DE MINA

Gentis – designa encantados da nobreza européia, geralmente cristã, associados a orixás e, às vezes também, a santos católicos. Esses encantados são também classificados como nagô-gentil ou como vodum-cambinda.



ENTRE ELES MERECEM DESTAQUE:

Rei Sebastião, associado a Xapanã e a São Sebastião; Rainha Dina, associada a Iansã; Rainha Rosa, associada a Santa Rosa de Lima e a Oxum; Dom Luiz, Rei de França, associado a Xangô e a São Luís (Luiz IX).



No Maranhão, o termo caboclo designa entidades distintas dos voduns africanos e dos gentis, mas, difíceis de serem definidas e caracterizadas. De modo geral os caboclos são:



encantados que tiveram vida terrena mas não podem ser confundidos com espíritos de mortos (eguns), do astral, e alguns deles pertencem a categorias não humanas como os botos e surrupiras;

são associados às águas salgadas, como os turcos; à mata, como a família de Légua-Boji; à água doce, como Corre-Beirada (oriundo da Cura/ Pajelança);



pertencem à encantaria brasileira mas podem ser originários de outros países (França, Turquia);

têm ligação com grupos indígenas mas podem ser nobres que preferiram ficar fora dos castelos;

são recebidos freqüentemente, mas nem sempre na qualidade de “donos da cabeça

são homenageados, geralmente, no final ou no último dia do toque mas podem ser recebidos em rituais onde há voduns



Referências

Pierre Fatumbi Verger – Fluxo e Refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos. São Paulo: Currupio, 1987.

Sergio Ferretti – Querebentã de Zomadonu. Etnografia da Casa das Minas. São Luís: EDUFMA, 1996, (2ª Ed. Revista).

Mundicarmo Ferretti, Desceu na Guma: o caboclo em um terreiro de São Luís – a Casa Fanti-Ashanti. São Luís, EDUFMA, 2000, (2ª Ed. Revista).





Autor: rosasnegras7x@ibest.com.br - Categoria(s): RELIGIÃO

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ENCANTARIA


Uma mistura de duas forças, de duas formas. O branco e o negro. Duas culturas que unidas formaram um berço de encantaria…







Os encantados não são espíritos desencarnados; são pessoas, ou até animais, que viveram mas não chegaram a morrer, sofreram antes a experiência do encantamento e foram morar no invisível. De vez em quando saem de lá, pegam carona na asa do vento e vêm à terra, no corpo dos iniciados, para dançar, dar conselhos, curar doenças, jogar conversa fora e matar as saudades do povo que continua por aqui.


Descem pela Croa* (cabeça) cada um com seu respectivo gênio, com sua formalidade. Dividios em famílias, que entre as quais são classificadas desta forma:






Família do Lençol. O nome é uma referência à Praia do Lençol, onde se acredita teria vindo parar o navio do Rei Dom Sebastião, desaparecido na Batalha de Alcacequibir. É uma família de reis e fidalgos, denominados encantados gentis. Dona Jarina é a princesa encantada do Lençol que dá nome ao terreiro de mina de São Paulo, a Casa das Minas de Tóia Jarina. Seus principais componentes são a) os reis e rainhas: Dom Sebastião, Dom Luís, Dom Manoel, Dom José Floriano, Dom João Rei das Minas, Dom João Soeira, Dom Henrique, Dom Carlos, Rainha Bárbara Soeira; b) os príncipes e princesas: Príncipe Orias, João Príncipe de Oliveira, José Príncipe de Oliveira, Príncipe Alterado, Príncipe Gelim, Tói Zezinho de Maramadã, Boço Lauro das Mercês, Tóia Jarina, Princesa Flora, Princesa Luzia, Princesa Rosinha, Menina do Caidô, Moça Fina de Otá, Princesa Oruana, Princesa Clara, Dona Maria Antônia, Princesa Linda do Mar, Princesa Barra do Dia; c) os nobres: Duque Marquês de Pombal, Ricardinho Rei do Mar, Barão de Guaré, Barão de Anapoli. As cores da família são azul e branco para os encantados femininos e vermelho para os encantados masculinos.


Família da Turquia. Chefiada pelo Pai Turquia, rei mouro que teria lutado contra os cristãos. Vindos de terras distantes, chegaram através do mar e têm origem nobre. Seus principais componentes são: Mãe Douro, Mariana, Guerreiro de Alexandria, Menino de Léria, Sereno, Japetequara, Tabajara, Itacolomi, Tapindaré, Jaguarema, Herundina, Balanço, Ubirajara, Maresia, Mariano, Guapindaia, Mensageiro de Roma, João da Cruz, João de Leme, Menino do Morro, Juracema, Candeias, Sentinela, Caboclo da Ilha, Flecheiro, Ubiratã, Caboclinho, Aquilital, Cigano, Rosário, Princesa Floripes, Jururema, Caboclo do Tumé, Camarão, Guapindaí-Açu, Júpiter, Morro de Areia, Ribamar, Rochedo, Rosarinho. São encantados guerreiros e sua cantigas falam de guerra e batalhas no mar. Dizem que nasceram das ondas do mar. Uma doutrina de Mariana, a cabocla turca que comanda a Casa das Minas de Tóia Jarina, em São Paulo, diz: “Sou a cabocla Mariana/ Moro nas ondas do mar/ He! faixa encarnada/ Faixa encarnada eu ganhei pra guerrear.” Alguns dos encantados turcos têm nomes que lembram postos de guerra ou de marinheiro, outros, nomes indígenas. Algumas dessas entidades, como na Família do Lençol, estão ligadas às narrativas míticas das Cruzadas e das guerras de Carlos Magno, muito presentes na cultura popular maranhense. São suas cores: verde, amarelo e vermelho.


Família da Bandeira. Família de guerreiros, caçadorese e pescadores chefiada por João da Mata Rei da Bandeira, tendo como componentes Caboclo Ita, Tombacé, Serraria, Princesa Iracema, Princesa Linda, Petioé, Senhora Dantã, Dandarino, Caboclo do Munir, Espadinha, Araúna, Pirinã, Esperancinha, Caboclo Maroto, Caçará, Indaê, Araçaji, Olho d’Água, Espadinha, Jandaína, Abitaquara, Jondiá, Longuinho, Vigonomé, Rica Prenda, Princesa Luzia, Princesa Linda, Tucuruçá, Beija-Flor, Jatiçara, Pindorama. São encantados nobres e mestiços. Suas cores: verde, branco, amarelo e vermelho.


Família da Gama. São encantados nobres e orgulhosos. Seu símbolo é uma balança. São os encantados: Dom Miguel da Gama, Rainha Anadiê, Baliza da Gama, Boço Sanatiel, Boço da Escama Dourada, Boço do Capim Limão, Gabriel da Gama, Rafael da Gama, Jadiel, Isadiel, Isaquiel, Dona Idina, Dona Olga da Gama, Dona Tatiana, Dona Anástácia. Cores: vermelho e branco.


Família de Codó ou da Mata de Codó. Município do interior do Maranhão, Codó é um importante centro de encantaria do tambor-de-mina. Seus caboclos, em geral negros, têm como líder Légua-Boji. Segundo Mundicarmo Ferretti, “são entidades caboclas menos civilizadas e menos nobres, que vivem, geralmente, em lugares afastados das grandes cidades e pouco conhecidos e que costumam vir beirando o mar ou igarapés.” São eles: Zé Raimundo Boji Buá Sucena Trindade, Joana Gunça, Maria de Légua, Oscar de Légua, Teresa de Légua, Francisquinho da Cruz Vermelha, Zé de Légua, Dorinha Boji Buá, Antônio de Légua, Aderaldo Boji Buá, Expedito de Légua, Lourenço de Légua, Pedro Légua, Aleixo Boji Buá, Zeferina de Légua, Pequenininho, Manezinho Buá, Zulmira de Légua, Rita Légua, Mearim, Folha Seca, Maria Rosa, Caboclinho, João de Légua, Joaquinzinho de Légua, Pedrinho Légua, Dona Maria José, Coli Maneiro, Martinho, Miguelzinho Buá, Ademar. Cores: mariscado de Nanã, marrom, verde e vermelho.


Família da Baia. São os caboclos baianos também popularizados através da umbanda, mas o tambor-de-mina não os reconhece como originários do Estado da Bahia, mas de uma baia no sentido de acidente geográfico ou de um lugar desconhecido existente no mundo invisível. São eles: Xica Baiana, Baiano Grande Constantino Chapéu de Couro, Mané Baiano, Rita de Cássia, Corisco, Maria do Balaio, Zeferino, Silvino, Baianinho, Zefa e Zé Moreno. Brincalhões e muito falantes, os baianos mostram-se sensuais e sedutores, às vezes inconvenintes. Cores: verde, amarelo, vermelho e marrom.


Família de Surrupira. Família de caboclos selvagens, como índios. Feiticeiros e “quebradores de demanda”: Vó Surrupira, Índio Velho, Surrupirinha do Gangá, Marzagão, Trucoeira, Mata Zombana, Tucumã, Tananga, Caboclo Nagoriganga, Zimbaruê.


Outras famílias de encantados: Família do Juncal, de origem austríaca; Família dos Botos; Família dos Marinheiros, cujo emblema é uma âncora e um tubarão; Família das Caravelas, que são peixes do oceano e não devem ser confundidos com a embarcação; Família da Mata, à qual pertencem muitos caboclos cultuados também na umbanda, como Caboclo Pena Branca, Cabocla Jacira, Cabocla Jussara, Sultão das Matas, Caboclinho da Mata, Caboclo Zuri e Cabocla Guaraciara.